Aniversário
Quarenta e uma vezes.
Quarenta e uma.
Mesmo assim nenhum consolo de Deus.
Também nenhum castigo.
Nenhuma esperança de Dulcinéia.
Nenhum lampejo de Beatriz.
Apenas a certeza de que é apenas mais um dia.
Mesmo quarenta e uma imprecações isso não mudaria.
Nem quarenta e uma lágrimas.
Nem quarenta e um pedidos de socorro.
Eu ainda acredito.
Que um sorriso faz o dia mais bonito.
Que para ser feliz é preciso primeiro querer e sempre acreditar.
Mas hoje, mesmo quarenta e uma repetições a isso não me faria acreditar.
Eu sinto saudades.
Mas mesmo que isso repetisse eu, quarenta e uma vezes, não adiantaria.
No tempo parado de aqui, o sempre é sempre o mesmo agora.
Quarenta e um gritos fazem tão pouco sentido,
Como a mim faz agora pouco sentido, a vida e o infinito.
Escrito por homem comum às 17h38
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